A vida tem dessas, né pai?
- Ca Côrtes
- 12 de jun.
- 2 min de leitura

Qual música que, quando toca, toca sua alma?
No meu fone de ouvidos passa desde moda de viola até orquestras, e fica complicado imaginar em qual música dei o play.
E por ter um gosto eclético, gosto de me organizar em playlists no Spotify e uma delas é de músicas instrumentais. Essa playlist existe por causa da minha mãe, pois quando eu era pequena, ela comprou um teclado que tinha músicas gravadas que deixava tocando alto.
Isso marcou minha infância, a música que eu mais gostava do teclado era Pachelbel - Canon In D Major.
Após anos sem escutar a música, pois trocamos o teclado por um celular, que na época foi uma necessidade, a encontrei no Spotify e o algoritmo do aplicativo me fez encontrar tantas outras, até que me deparei com uma que se tornou essa tal música que, quando toca, toca minha alma.
Toda vez que ela passava no meu "modo aleatório", eu parava o que estava fazendo para prestar atenção. Sentia que tinha que aproveitar aquele momento, não poderia desperdiçar a música.
Já chorei, me lembrei de momentos simples, mas importantes, pintei o meu futuro pela imaginação com ela de pano de fundo.
Descobri que ela é a trilha sonora de um filme famoso. Mas nunca fui de gostar de ver filmes, até que um dia pensei: "se a trilha do filme é tão boa, imagina o filme". Me preparei para assistir à obra.
Adorei. Fiquei chocada por ser atraída por quase três horas por um filme. A história se resume a um homem que deixa sua família para salvar o mundo e, nessa empreitada, fica claro que o trama se desenrola entre a relação dele com sua filha mais nova.
Continuei encantada, mas a euforia tinha parado por aí.
Só que, após um mês de ter assistido ao filme, descobri, através de uma conversa descontraída, a origem da música.
A trilha foi feita para o filme, mas com um briefing de uma página, no máximo, que não revelava o contexto geral da obra, mas mencionava a relação de pai e filha.
E só.
Foi apenas isso que o compositor teve conhecimento para criar a música que toca minha alma, para o filme que, na época em que mais estou agitada, me fez parar por três horas e esquecer celular, redes sociais e tudo aquilo que tem roubado nossa atenção e ceifado nossa habilidade de apreciar e contemplar.
Pai e filha. Eu, que não tenho essa figura tão essencial para a vida, sou profundamente tocada por uma música criada sobre a relação de pai e filha. Engraçado. Profundo. Eu amei descobrir isso e essa descoberta me fez amar ainda mais essa obra.
Creio que você já descobriu o filme e sua trilha, mas se não, te convido a contemplá-la AQUI.



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