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Que conversa é essa que só você fala

  • Foto do escritor: Ca Côrtes
    Ca Côrtes
  • 24 de abr.
  • 3 min de leitura

Quem tem a bênção de ter amigos mais chegados que irmãos precisa levantar as mãos para o céu.

Conforme vamos chegando aos 30 anos, nosso ciclo de amizades tende a diminuir. Acontece aí também?


Mesmo quando era mais menina, nunca fui do grupão de amigos, do fundão da sala de aula, ou aquela pessoa popular que mais parecia um prefeito de cidade que sai cumprimentando todo mundo, pelo contrário, sempre fui integrante de um grupo de, no máximo, quatro pessoas.


Graças a Deus, nos meus grupos nunca teve aquela pessoa que tinha o domínio da palavra. Eu sempre estive no meio dos tagarelas, todos falavam muito.


Isso me fez aprender a falar na hora certa, mas a ouvir também. Para não ter guerra.


Mas aí que mora a grande lição que aprendi terça-feira passada: eu achava que sabia ouvir.


Com uma boa criação (obrigada, mãe), nunca fui de interromper as pessoas enquanto falavam, mas sabe aquele ambiente quieto constrangedor? Na maioria das vezes, eu quebrava o gelo e trazia um clima mais aconchegante.


Esse meu jeito "falante" me ajudou bastante na época da escola, faculdade e, até hoje, no trabalho.


Então, ouvir, eu ouço, afinal, as correções dos professores, suas aulas, quando minha mãe estava me dando uma bronca, ou só nos papos do dia a dia, eu estava ouvindo.


Num relacionamento, a gente também é posta à prova no que diz respeito a ouvir o parceiro, ainda mais quando é melancólico e fala pouco. Ah, o desafio aperta aí, porque precisamos aprender a ouvir até as palavras não ditas.


Mas até aí, tudo bem, estava conseguindo avançar em tudo com o que hoje chamam de "escuta ativa".


Só que na terça-feira passada, meu leitor, minha leitora, o calo apertou.

Sou ministra na igreja em que congrego há mais de seis anos, e na terça passada aconteceu uma reunião com o corpo ministerial e nosso líder espiritual.

Esses encontros são uma benção, porque ali Deus "entorna o caldo".


Então, o bispo perguntou, como quem não quer nada: vocês conversam com Deus?


E todos, como num coro, respondemos: "mas é claro, oramos sim".


A devolutiva foi simplesmente: mas que conversa é essa que só você fala?


(Plaft) Foi um tapa na minha cara. Engoli seco, como o seu Madruga, quando passa por um constrangimento na vila.


Sabe por que essa pergunta me pegou em cheio? Porque há pouco tempo tenho pedido para Deus falar comigo, para me levar a um lugar mais profundo, para poder ver os milagres que Ele operava há tempos atrás, como: multiplicação, cura de cegos e provisão. Estava pedindo para ver o mundo espiritual mais de perto.


Não que eu não reconheça Suas manifestações diárias, ah, como as vejo e sinto.


E não estava pedindo para ver para, então, crer. Mas, porque eu creio Nele, quero ir para esse lugar mais profundo com mais experiências que nunca tive.


E Deus vem e responde pela boca do meu bispo: "Fique um pouco quieta para me ouvir".

Desde então, tenho reservado um tempo na minha oração para ouvir Deus responder. 

Tem sido desafiador, mas vejo Deus me ensinando a não cair na crença de que Ele é previsível. Mas isso é papo para outro texto.


E calma, que não tem uma única maneira de orar, Deus é Pai de amor e sabe o que passa em nosso coração antes mesmo de abrirmos nossa boca para clamar.


Essa foi uma experiência minha que pode te levar para um nível mais profundo com Deus.

Para você que leu até aqui, muito obrigada e espero que essa reflexão te leve a pensar: "Estou parando para ouvir Deus?"


Volte mais vezes, adorei ter você aqui.


 
 
 

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©2022 por Ca Côrtes.

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